segunda-feira, 8 de maio de 2017

Sobre vida, morte, viagem no tempo e Billy Pilgrim

Acabei o livro mais maluco e mais fantástico que li esse ano: O Matadouro 5 de Kurt Vonnegut. Como o próprio autor diz, esse livro...

“Começa assim:
 Escutem: Billy Pilgrim soltou-se no tempo.
Termina assim: Piu-piu-piu?”

Matadouro 5 é uma obra anti-guerra que fala sobre um sobrevivente do massacre de Desdren, na Alemanha, na Segunda Guerra Mundial.  Mas o livro não tem uma narrativa comum, o livro é um absurdo. No melhor dos sentidos.

Billy Pilgrim, o protagonista, sobreviveu aos acontecimentos mais improváveis (único a sair vivo de um acidente de avião, um dos poucos sobreviventes de um bombardeio histórico, etc), Billy sobrevive a coisas improváveis muito provavelmente porque ele próprio é um personagem bastante improvável. Para começar ele é “solto” no tempo, o que significa que ele consegue viajar e reviver diversos momentos de sua vida, assim, num piscar de olhos. Como eu que agora esfrego o olho direito e de repente estou na pré-escola de novo, enxugando as lágrimas que caem dos meus olhos enquanto coloco a mão na cabeça.

Acabei de ser derrubada do brinquedo (o trepa-trepa) por um menino que ficou bravo por eu conseguir fazer o percurso todo de ponta-cabeça e mais rápido que ele. Nesse momento eu aprendia que sempre vai ter alguém querendo te derrubar, às vezes até literalmente, por você fazer bem alguma coisa. A lição ali veio em forma de galo na nuca e uma boca sangrando, cheia de areia de parquinho. Coisas da vida.

De volta a este texto, como se não bastasse Billy Pilgrim ser viajante no tempo, o autor tem muitas outras cartas na manga para deixar a gente maluco. Além de sobrevivente e viajante no tempo, Billy também foi abduzido por um disco voador e exibido no zoológico do planeta Tralfamador. Sim, isso mesmo, alienígenas. O livro fala da Segunda Guerra Mundial e de alienígenas.
Mas eles tem algumas coisas para ensinar: os tralfamadorianos não percebem o tempo como nós terráqueos, não há uma linha cronológica a ser seguida. Eles enxergam o tempo como uma coisa plana, disponível por completo, todos os momentos.

“— Esta é uma das coisas que os terráqueos poderiam aprender de nós, se fizessem força: não tomar conhecimento dos tempos ruins e concentrar-se nos tempos bons.”

Eu, por sorte, tenho muitos momentos bons para me concentrar. Agorinha mesmo enquanto digito essas palavras, de repente me vejo no carro com meus pais e meu irmão. Estamos cantando um sertanejo idiota enquanto descemos a serra. Essa é provavelmente a quarta vez seguida que a música começa e de novo ninguém sabe a letra. Meu pai vai fazendo as curvas da estrada suavemente e no banco de trás, sinto o meu corpo balançando para o lado devagar, como se pudesse flutuar. Eu vou indo, indo, indo, mas o cinto me puxa de volta e a curva acaba. O momento também.

Aposto que mesmo sabendo de tantos momentos felizes, se eu estivesse solta acabaria invariavelmente dentro de um momento muito triste, ou o mais triste até hoje. O dia que perdemos meu avô. Talvez já esteja solta no tempo, porque é só distrair e eu volto para aquele momento em que o telefone tocou. Olha eu correndo para o banheiro.

Mais uma vez Billy Pilgrim taí para ajudar com a maior lição desse livro para mim:

O fato mais importante que aprendi em Tralfamador foi que quando uma pessoa morre, ela apenas parece morrer. Ela continua bem viva no passado, portanto é tolice chorar no seu enterro. Todos os momentos, passados, presentes e futuros, sempre existiram e sempre existirão. (...) Quando um tralfamadoriano vê um cadáver, tudo o que pensa é que a pessoa morta está em más condições naquele momento particular, mas que essa mesma pessoa está muito bem em numerosos outros momentos.”

Dá para refletir sobre isso uma vida inteira e concordar ou discordar, mas acho que era assim que eu gostaria que fosse.


Agora eu olho para baixo e vejo meus pés apertando a baliza,  uma gota escorre pelo meu óculos de natação e cai da ponta do meu nariz. Debaixo do maiô o coração bate tão forte que poderia fazer ondas na água. O juiz se prepara para apertar o botão de largada e eu sou toda respiração, mas sei que naquele momento uma parte de mim deixou de fazer sentido ali.  Concentrada eu olho para a água e o juiz finalmente dispara o sinal. Eu mergulho... mas quando me dou conta já estou dando outro salto na vida.



quinta-feira, 20 de abril de 2017

O que você está fazendo com a sua vida?

Se você pudesse, como mediria um ano de sua vida?

Essa é a pergunta de uma das – se não a – música mais famosa do musical Rent, logo de cara um soco no estômago. Mas não é a primeira coisa que você ouve, tem uma jornada inteira antes de chegar até ela.
O musical fala sobre um grupo de amigos que vive em Nova York na década de 80. Com pouco dinheiro e vários perrengues, eles são cercados por um contexto de drogas e o terror da AIDS que aumentava as estatísticas de vítimas com uma velocidade absurda. A morte vive na esquina e essa realidade dá a dimensão da história que me toca mais fundo: a vida é breve, o que você vai fazer com ela?
No grupo tem gente de todo tipo: um aspirante a cineasta, um guitarrista que contraiu HIV e perdeu a namorada que se suicidou, um casal de garotas em que uma é espirito livre demais e outra de menos, uma outra garota quase perdida para as drogas, um gênio da informática e uma drag – maravilhosa e muito bem resolvida, por sinal a única.
Cada um à sua maneira enfrenta a árdua tarefa de tentar ser o que se é. Quando arriscar? Quando deixar para trás as convicções? Quando se posicionar, comprar uma briga, defender alguma coisa? Quando ceder? Quando, afinal, perder o medo de viver?
Provavelmente você já se perdeu aí no meio de alguma dessas perguntas. E aí enquanto você está pensando nisso eles lançam:

There’s only us / Somos só eu e você
  There’s only this/ Só existe isso
  Forget regret/ Esqueça o arrependimento
  Or life is yours to miss/ Ou vai acabar perdendo a vida
  No other road, no other way/ Nenhum outro caminho, nenhum outro jeito
  No day but today/ Nenhum dia além de hoje


Daí para frente o musical é ladeira abaixo, um milhão de sentimentos misturados.
Rent por si só já mexe com a gente, mas tem uma coisa que deixa tudo ainda mais profundo.
Jonathan Larson, autor e compositor do musical, trabalhou 7 anos nessa história. Perdeu vários amigos para AIDS no meio do caminho. Largou seu emprego de garçon quando finalmente viu que sua ideia maluca de escrever um rock-musical ia funcionar. Acreditou no projeto e viu o último ensaio geral antes da apresentação. Faleceu na manhã da estreia do musical no circuito Off-Broadway, sem nunca ver sua obra encenada.

A vida é breve ou não é?

Ouvir de perto – no sentido de segunda fileira mesmo – os atores praticamente gritando que “Viver é pra já” é uma das experiências mais inspiradoras que eu já vivi no teatro. Para mim é algo além de emocional, é físico, dá para sentir na pele.  
É um choque de mente que te chama para realidade e se você sair do teatro sem refletir sobre pelo menos um aspecto da sua vida atual, você provavelmente cochilou.
Por fim a música mais famosa de Rent deixa uma sugestão para a pergunta do início:
Como você mediria um ano de sua vida?

Que tal amor?

Eu particularmente acho um ótimo começo.



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Teatro Frei Caneca
Terças e Quartas, 21h
Setor A - R$ 80,00 (meia R$ 40,00)
Setor B - R$ 50,00 (meia R$ 25,00)
Ingressos na bilheteria do Teatro ou pelo site www.ingressorapido.com.br


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Cartas para mim

Eu de 5 anos

Continue brincando, muito. Sério, pegue sua escova de cabelo e vá fingir que é microfone. Dica: a cortina do sofá é uma ótima entrada para o seu palco.
Ah, continue fazendo peças imaginárias e inventando histórias. Um dia você vai querer fazer isso para viver.

Eu de 6 anos

Sim, ler é demais, eu sei! Continue levantando a mão para responder sempre que souber ler o que está escrito na lousa, mesmo que a professora peça pra você deixar outro aluno falar. Um dia essa história pode te ajudar em uma entrevista de emprego.

Eu de 8 anos

Parece que você vai morrer cada vez que ele entra no pátio, mas não vai, prometo. Aliás, boa tática essa de ser a única que não persegue ele no recreio, vai funcionar.
Agora uma dica: você vai fazer uma coisa muito fria que vai deixá-lo muito chateado, mas eu sei que você não tem o coração gelado ok? Você só não sabia como era estar apaixonada. Fique tranquila, vai demorar mas vai ficar tudo bem.

Eu de 10 anos

Eu sei que você se sente diferente. Que pra você rosa não tá com nada e brincadeiras de meninas são na maioria das vezes muito chatas, meninos são muito mais legais.
Eu sei que você prefere a bicicleta e a pipa, a aula de ciências e jogar futebol com seus primos. Assim como sei que você também adora pular corda e brincar de adoleta com suas primas. Tudo bem, pode gostar de fazer as coisas que os meninos fazem e não achar justo quando dizem que você não pode fazer porque é uma "mocinha". Vão te falar muitas coisas ruins e isso é só o começo, conforme você for crescendo as coisas vão ficar piores. Vão te chamar de menino, vão tirar sarro do seu cabelo curto e dizer que você gosta de mulher. Eu sei que você acha isso tudo uma bobagem e está certa.
Um dia vai encontrar num livro uma personagem igualzinha a você - o nome dela é Jo March -  e quando esse dia chegar, você vai ficar muito orgulhosa da pessoa que é hoje.
Ps. Pare com essa história de não gostar do seu pé, não dá pra tirar. Lide com isso e volte a usar chinelo.

Eu de 13 anos

As coisas mudaram né? Eu sei, mas calma. Tá tudo confuso mas se concentra que já já tudo encontra seu lugar e fica mais ou menos direito. Eu sei que você odeia quando te pedem para ter paciência mas eu sinto lhe informar: vão repetir O RESTO DA VIDA!
Você eventualmente vai entender. Bom, estão tirando sarro e pegando no seu pé né? Eu sei que você ficou chateada quando tentaram te bater, você era amiga delas não era? Tudo bem, não ligue quando te imitarem. Continue com os meninos, bom trabalho (e eles vão te defender sempre que possível). Ainda não pararam com a coisa de sapatão né? Não vão parar mesmo, mas você lida perfeitamente bem com isso, parabéns. Tem duas coisas que eu gosto em você: a confiança que tá crescendo aí, em ser quem você é, descobrir sua feminilidade, lidar melhor com os garotos e parar de ligar pro que os outros pensam. E a segunda é o seu amor pelos livros. Eles serão seus melhores companheiros.

Eu de 15 anos

PARE. COM. O. DRAMA.

Eu de 16 anos

PARE. COM. O. DR... mentira essa foi foda, pode chorar. Aliás pega mais lenço porque vai acontecer de novo.

Eu de 18 anos

Linda, você não vai morar sozinha, nem salvar o mundo e nem ter uma causa nobre. Se concentre em trabalhar duro como você faz e segue comprando uns livros aí. Faculdade é logo ali e você precisa de referência. Quer mexer com video e historia não é? Segura onda.

Eu de 22 anos

CALMA CACETE, não vai mudar a droga do mundo e sua vida não tá uma bosta. Pare de se comparar com artista mirim que é milionario, não vai rolar pra você.
Ah, pare de chorar nos seus aniversários. Não vai ter jeito, vai envelhecer todos os anos.

Eu de 24 anos

Não falei? Eu disse que ia melhorar. Você é independente agora, preserva e ama sua família, trabalha e paga as continhas. Os livros estão aí não estão? Eu disse. Agora pode se  preparar porque só vem coisa boa. E conquista. E amigos. E um garoto.
Você vai se descobrir cada vez mais mulher e cada vez mais confortável com quem você é.
Estou ansiosa por você.

Eu de ontem

Que bom que chegou até aqui e do jeito que chegou. Acho que vai dar tudo certo pra nós né?
Eu sei que você ainda é impaciente e sei que ainda não desistiu de mudar o mundo, mas acho que é algo bom. Ainda tenho fé que vai conseguir. Eu adoro o quanto você aprendeu até aqui, como lidou com as coisas ruins que te falaram e como riu das coisas absurdas que já aconteceram com você. Aliás eu adoro o quanto você ri e se diverte com a vida. Tem muito detalhe solto por aí para você ver e escrever sobre. Será que alguém vai ler? Sei lá também.
Mas tem uma coisa que eu adoro muito que você faça e que sempre vejo você pensando e fazendo. Você defende as meninas que também gostam das coisas de menino e os meninos que gostam de coisas de menina. Você acha que deviam existir só "coisas", sem gênero, e que cada um pode - e deve - fazer o que quiser. Eu adoro que você incentive as pessoas a fazerem o que elas quiserem, desde que sejam gentis e amáveis. Mais queridas e menos otárias.
Porque realmente acho que se não der para você salvar o mundo, elas vão salvar por você.

Estamos juntas.
Sinceramente (sim, eu sei que você adora terminar cartas assim),

Thami.




quarta-feira, 29 de março de 2017

É só reparar

Em menos de 50 passos aconteceram tantas coisas aleatórias que questionei se algo tinha acontecido com o universo enquanto estive fora. 
Primeiro precisei desviar depressa para não ser esmagada por uma banda de jazz que surgiu do nada no meio da calçada. Quer dizer, no começo era jazz mas acho que deixou de ser quando pedi licença para o moço do banjo.
No caminho inverso vinha um jovem segurando um pacote com 4 rolos de papel higiênico como se fosse um livro. Olhei duas vezes para ter certeza, era. Ainda pensava nisso passou por mim uma mulher falando espanhol. Com o cachorro.

Tudo isso soaria como um perfeito absurdo se não fosse inteiramente verdade. 
Hoje de manhã me deparei com uma pintura feita a mão de um casal no dia de seu casamento. Noiva e noivo em um beijo singelo jogados embaixo da escada da estação do metrô.

Minha teoria é que as coisas estão lá para todo mundo ver mas eu é que dou importância além da conta pra elas. Sou a pessoa mais avoada e mais detalhista que eu já vi andando na rua. Faço o caminho da luz em que o poste pisca em verde, viro na esquina da placa que tá ao contrário e atravesso a rua na faixa do lado da árvore em que Thaís + Felipe vão ficar juntos para sempre.
Coisas absurdas acontecem nos meus dias e quando eu digo parece tudo invenção.

Tá certo que minha imaginação é fértil, mas a realidade ajuda.
E muito.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tempo: a falta de




É impressão minha ou alguém afrouxou os ponteiros do relógio? Eu nunca tinha me dado conta do tempo passando tão rápido, meu aniversário costumava demorar 2 anos para chegar. E o coelho da páscoa então? Era uma vida e meia até ele passar na minha casa! São as horas que estão fugindo ou  eu que fiquei mais lenta? Ontem era natal, amanhã o carnaval já passou. Eu mal terminei de arrumar minhas malas e quando abri os olhos estava de frente pro relógio de ponto passando meu cartão. Como foi que isso aconteceu? Já faz mais de um ano que não aperto a mão do meu avô, mas ele tava aqui agorinha mesmo, não tava? Quando alguém vai pro céu o tempo da Terra corre mais rápido? Eu sempre achei que era ao contrario. E o meu próprio tempo, pra que ir tão depressa? Tudo tão milimetricamente calculado para caber e eu nem tenho tantos afazeres assim. Como vai ser quando eu tiver um filho? Quer ver, até o ponto final dessa frase já vou ser vó.
Será que sempre foi assim e só agora eu parei para contabilizar? Será que ter noção do tempo faz ele escapar e obriga a gente a sair correndo para pegar de volta?
E se eu apagar as planilhas, não marcar reuniões, tirar meu relógio e queimar o calendário ele sossega e para? Uma vez ouvi uma mulher no trem dizer que "quem faz o nosso tempo é a gente."
Mentira! Ou será que é verdade?
Se for acho que falhei, tá na hora de terceirizar a administração do meu.
Viu? Não tive tempo nem de dividir em parágrafos.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Já estava bom

Já estava bom quando saímos do teatro. O êxtase da última cena estava ali e o eco do aplauso final ainda dava para ouvir. Deus sabe o quanto a gente ama teatro, então já estava bom. A noite era fria mas tinha parado de chover, já estava bom.
Andamos cuidando para desviar dos carros até chegar a uma via fechada.
A cada passo uma música se aproximava, chegamos a uma esquina onde um músico com menos blusas do que o necessário tocava para no máximo umas 7 pessoas.
O cara tocou uma música que eu gosto, pedi para ficar. Ficamos. Outra musica que eu gosto, depois outra e outra. Era uma mixtape pensada para mim, só pode, cantamos todas. Ficamos ali, abraçados, meu namorado e eu, no frio, embalados pela minha mais nova playlist favorita. Ao redor pessoas de todos os lugares do mundo cantavam juntas naquela esquininha de Londres.
Aos poucos mais gente chegou, eram muitos sotaques, fazia um frio danado mas ninguém estava ligando. Eu dançava devagarzinho e de vez em quando fechava os olhos, vai que era sonho, eu queria testar.
No final o cara já estava abrindo o coração, contou de uma dor de amor e pediu para todo mundo se aproximar, 'vamos cantar juntos que cura'. Cura mesmo.
Demos nossas moedas, entrelaçamos os dedos - meu namorado e eu - e fomos embora.
E pensar que quando eu saí já estava bom.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

meio médio mediano mesmo


Mediocre. De estar na média mesmo, nem acima nem abaixo, só ali no meio. Esse é o meu lugar.
Se fosse uma profissão eu poderia me considerar excepcionalmente boa no cargo de estar na média.
Toco violão? Sim. Bem? Na média. Sei ler cifra mas não toco Caetano, nem dedilhados, nem acordes que peguem quatro casas.
Canto? Sim. Sei o que estou fazendo enquanto canto? Nem um pouquinho.
Sei de história mas não o suficiente, me confundo nas datas e nos nomes. Arte? Amo, mas pede pra eu te falar o período, o contexto, o pretexto. Nada.
Mitologia? Sei a história mas nunca lembro de quem é. Peças de teatro, se não for da Broadway faço uma vaga ideia apenas. Não, não me peça pra declarar nada, don't rain on my parade!
Política. Chego no passo 1. Avança pro dois pra ver se te sigo (não).
Livros? Pulei os clássicos. Filmes? Não sei quem dirigiu nada. Inglês? Leio mas não escrevo, entendo mas não falo. Francês? Merci beaucoup e adeus no Passé Composé.
Não entendo de quilômetros, litros, distâncias, pesos e nem me fale sobre semanas de gestação.
Poesia é outra coisa, leio com paixão mas não sei dividir sílaba poética sem colar de algum lugar. Por gentileza vamos pular a gramática, distribuo minhas vírgulas como quem salpica sal na comida (onde por sinal acerto só na metade das vezes, e olhe lá).
Me salvei nos meio certos, ainda bem que levaram em conta.
Mas o esforço existe viu? Fico aqui entre os experts e os sabe-de-nada, querendo chegar mais perto de um mas sendo naturalmente mais parte do outro.
A curiosidade existe também, o que atrapalha é a memória. Não dá pra lembrar de nada, tô sempre estudando outra coisa. E depois outra e outra e outra.
O lado ruim é que fica um prato raso, o lado bom é que tá sempre cheio.
Será que um dia transborda?